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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
COM VOCÊS, ANA!
terça-feira, 5 de julho de 2011
ELES ACREDITARAM
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AS MEMÓRIAS DE ANA
Ana é um filme memorial, sobre a perda da memória, produzido e dedicado In memoriam.
Remonta às memórias do neto em relação à avó, cuja vida começa a definhar sob o sintoma inicial da fragilidade da memória, e leva a uma homenagem sincera – no caso, pouco importa que seja póstuma; reconhecimentos em vida – embora raros, tanto os elucubrados pelo destino quanto pelos humanos – são sempre mais contundentes, acertados.
Mas também não se trata de reconhecimento, a menos que esteja se referindo ao campo minado das intempéries da trajetória a que todos estamos sujeitos. Prefiro – como nos propôs o Modernismo – a visão que retira a dor de um fato isolado, ilhado, irreconhecível para o mundo – e arrisca a universalização, o denominador comum – à possibilidade de reencontro. Essa segunda é particular, pouco interessa ao espectador.
Recuperando um pouco a minha memória de Ana, preciso esclarecer. Há um erro na apresentação. Não sou roteirista. Não tive a ideia primeira. Não concebi os caminhos do filme. Apenas ajeitei o “monólogo off” – notem, pelo termo, que não sou do ramo! –, que, registre-se, já estava pronto. E, quando o fiz, fiz com certo desprezo. “Lá vem o demente, pedindo um texto para algo que não vai sair do papel. Imagina... Um filme de 15 minutos, sem recursos. Sim, meu colega é um demente”.
Sorte minha, e dos espectadores, que “demência” ou “loucura” podem ser usados para o bem ou para o mal, se me compreendem. Assisti primeiro ao making of. “Interessante”. Depois, ao filme editado, imagens sem tratamento, secas, sem trilha. “Caralho. Existe um filme aí”. Finalmente, assisti à versão final. O choro inevitável que orvalhava nos olhos foi engolido junto com minha desconfiança. Optei por não emitir comentários. À noite, horas depois, telefonei a Fernando Mori. Ainda não era possível, e nem vai ser, nunca, me pronunciar com algum argumento técnico. O que mais me encanta no filme continua sendo a determinação de Mori, o sentimento de realização que o inundou e a sensibilidade/habilidade com que conduziu o trabalho.
Na noite anterior em que Mori viajou a Ribeirão Preto para gravar o tal “monólogo off” com Maria Alice Ferreira, eu e ele fizemos os últimos ajustes, fala e tempo, alguma dicção que poderia ser prejudicada, nada além. Computador já desligado, perguntei se ele estava com a câmera, e se ela seria capaz de captar apenas o áudio, tamanha a minha ignorância! Mori riu, e, a contragosto, o fez. Já estava cansado, a atriz não careceria da minha interpretação. Foi a vez dele retrucar com alguma arrogância. Porque Maria Alice respeitou uma série de pausas, soube reconhecer e impostar a voz de acordo com a colocação da emoção que emanava daquele trecho. E foi adiante. Emprestou seu timbre marcante, leu como quem está doendo, como quem remói, assentou espontaneidade, técina e talento lado a lado, paralelos, tangentes, fundidos.
Agora, sejamos sinceros. Mori deve um agradecimento especial a Aparecida Fontes de Souza, que interpretou Ana. O filme tem 18 minutos e Aparecida tem duas míseras falas, somadas não chegam a dez segundos. E atua em absolutamente todas as cenas. Todas. É ela, e só ela, quem nos convence de que estamos frente a frente com um drama real. E só existe choro no final quando nos esquecemos de que aquilo foi gravado, nada existe, de que a pessoa leva uma vida normal etc. Eu ainda acredito que Aparecida seja portadora do Mal de Azheimer. E foi essa fantasia, essa ilusão, que fez do cinema a grande arte do século 20.
Fernando Mori não é um entusiasta do cinema. Não, ao menos, da maneira que eu imagino. Não o vejo falando de períodos, de Cinema Mudo, de Cinema Novo, de Realismo Italiano. Não o vejo falando de Serguei Eisenstein, de Glauber Rocha, de Vittorio de Sica. Há um detalhe, porém, que não pode ser descartado. Fernando não é crítico, sob ponto de vista algum, exceto no que se refere à seleção de cenas que seus olhos registram. Você anda de carro com ele, e a cabeça dele está longe, filmando, na memória, cenas que ele jamais vai filmar. Daqui à farmácia com ele é um filme que só ele filma, a que só ele assiste. E a esse meu derradeiro equívoco, ele responde com um tapa na cara, de mão aberta, justo, quando a tela do computador começa a exibir Ana.
Vida longa a Ana e a todos os próximos trabalhos de Fernando Mori. “Longa”, que engraçado, é algo que ele almeja, em todos os sentidos. E, sobretudo, que ele merece.
Rodrigo Brandão
sexta-feira, 24 de junho de 2011
CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO
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SINOPSE
A rotina entre mãe (Aparecida Fontes de Souza) e filha (Maria Alice Ferreira) é rasgada quando a primeira começa a se transformar. Os sintomas evoluem em um ritmo inesperado e a filha resolve procurar um médico. Os exames apontam a fatalidade.
A partir de então, a entrega da filha comove pela dedicação, carinho e amor profundo, que seguem até o destino derradeiro de Ana.
Duas interpretações marcantes, que nos fazem refletir sobre os caminhos tortuosos da vida e a amizade capar de enfrentar qualquer desafio.
A partir de então, a entrega da filha comove pela dedicação, carinho e amor profundo, que seguem até o destino derradeiro de Ana.
Duas interpretações marcantes, que nos fazem refletir sobre os caminhos tortuosos da vida e a amizade capar de enfrentar qualquer desafio.
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